Estudar demônios: dos conceitos aos corpos em relação

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Paulo Nogueira

Resumen

Neste artigo propomos uma abordagem para o estudo dos seres demoníacos no cristianismo antigo que complemente as abordagens tradicionais filológicas e históricas, de perfil histórico-crítico, que privilegiam histórias de conceitos e de teologias abstratas. Para este fim propomos uma análise a partir da consideração do cristianismo como religiosidade popular do Mediterrâneo antigo. Nossa proposta é que os demônios devem ser estudados em perspectiva comparativa multiangular, que considere tanto as narrativas sobre o enfrentamento dos demônios, como as vitae dos pais e mães do deserto e os textos apócrifos, quanto os artefatos usados em rituais apotropaicos ou de exorcismo, como os amuletos, vasos de encantamento etc. Desta forma estariam contempladas tanto a imaginação mitopoética, quanto as práticas religiosas concretas, possibilitando uma compreensão mais complexa dessas relações. Também propomos uma abordagem dos demônios por meio de uma “ecologia” conectiva que os considere em seu status de agentes de transição entre o mundo celeste, o dos humanos e o mundo inferior, além de sua relação com os animais, o que não apenas confere aos demônios um status ambíguo, como também desloca os humanos de qualquer pretensão de agência exclusiva ou central. O estudo do demoníaco nesta perspectiva também teria consequências para uma compreensão da experiência religiosa imanente, corpórea a conectiva dos cristãos na antiguidade.

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Sección
Estudios